domingo, 27 de outubro de 2013

CONSTRUÇÕES SOBRE BINARIDADES SEXUAIS.

Ao pensar sobre as questões de gênero e orientação sexual, nos diversos nomes em  evidência, tais como João Nery, Léa T, enquanto tantos se digladiam em suas moralidades pessoais ou institucionais sobre o assunto, não consigo deixar de pensar no quão emblemático é a despeito dessas problematizações e não menos importante seria trazer a tona a questão da identidade sexual também, muitas vezes inclusive confundida com as questões anteriores.
 
Para ilustrar melhor esta questão trago a tona a imagem de Tereza Brant, que tem ganhado evidência e polemizado inclusive as discussões sobre transgeneralidades, isto porque Tereza Brant escancara pra todos nós que nossas construções de feminino e masculino são fracassadas, apesar de não sabermos viver sem elas. Ao olhar para Teresa, somos imediatamente levados a pensar em um homem, mas ela não se define assim, Tereza é Tereza, mulher, apesar do desejo pela cirurgia de mastectomia masculinizadora e da construção de uma imagem a partir dos atributos de um rapaz.

O que torna a imagem de Tereza Brant, emblemática é a construção e as desconstruções que precisamos inevitavelmente fazer para aprendermos a lidar com Tereza, e as diversas “Terezas” menos visíveis que se impõem diante de nossas moralidades sociais. Ela grita silenciosamente, que precisamos repensar até mesmo as políticas públicas que estamos criando, evidencia que precisamos mesmo, talvez, não apenas pensar LGBT, mas orientação, identidade, e também Binaridades. Tereza trás no simples fato de existir, a proposta de importantíssimos debates e nos conclama em sua visibilidade preciosa a “pensar fora da caixinha”.

Tereza pode até parecer um “tiro no pé” do segmento Trans, por não se afirmar enquanto homem, mas a bem da verdade ela é um presente na luta, não apenas de um segmento, mas da não sedimentação, ou melhor, de uma luta pelo direito de ser, quem quiser ser, de se afirmar fazendo-se e refazendo-se a partir de sua construção de identidade binária. O incoerente não é Tereza mas nossa necessidade de padronização ás normas binárias de gênero aprisionando as possibilidade de ser.


ELIENE COSTA

Voce també pode ver este texto em: http://www.recantodasletras.com.br/redacoes/4542368

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